100 páginas em 10 minutos
e eu não estou falando de leitura dinâmica
Às vezes eu me sinto a pessoa mais lerda e idiota do mundo. Coloco a culpa nos anos que passei tentando me encaixar nos padrões aceitos pela sociedade engessada (e chata) que definiu o tal do “ensino tradicional”.
Calma, vou explicar.
Estou fazendo o curso de roteiro, disso vocês já sabem. Como toda boa aluna obcecada e ansiosa, peguei a bibliografia do curso e comecei a ler as indicações dos professores. Não se enganem, essa coisa de aluna aplicada que lê a bibliografia completa de um curso (que ser humano faz isso?) não dura muito, eu me conheço. Pois bem, cheguei em um livro chamado “Teoria do drama burguês”. Como o próprio nome diz, é um livro teórico. De filosofia, análise de teatro, narrativa, sociologia, história... Um amontoado de coisas que me interessam, mas estavam me dando um trabalho danado pra entender. Parafraseando Ritinha: chato pakas!
O pior de tudo é que eu fui caçar o trem lá no cafundó do Judas... Ó céus!
Por culpa do meu marte em virgem e da teimosia inútil que de vez em quando me assalta, insisti. Fui até a página 100 antes de me dar conta que (ora ora, Sherlock) existem outros jeitos de entender o diabo do drama burguês. Abri o youtube, digitei “drama burguês” na busca e lá estavam vários resultados falando sobre o diabo do drama burguês.
Ora ora, Sherlock.
Em um vídeo de dez, vinte minutos os sofrimentos da jovem Bianca acabaram e eu entendi o troço.
Pra não dizer que não me aprofundei, fui pro GPT e conversei com ele sobre o moço. Aprendi muito mais do que enquanto passava raiva brigando com as 100 páginas do livro escrito em português, inglês e francês.
Ó pra que serve a inteligência artificial, pequenos gafanhotos, pra facilitar.
Sou especialista em drama burguês? Não. Nem quero ser. Entendi o que queria entender no momento e pra mim tá tudo certo, perfeito, finito.
No final da sessão de estudos, o que me restou foi a pergunta:
Pra quê que eu complico tanto a minha vida?


