2024 x 2025
As pessoas mudam, amém!
Comecei 2025 chorando, abraçada com a Vandinha e pensando que eu teria que voltar pro meu emprego CLT quando o recesso acabasse, no dia 7 de janeiro. No dia 3, enviei um e-mail com meu pedido de demissão. Foi um pequeno registro desse momento que encontrei em uma lata destinada aos “motivos que eu tenho para agradecer”.
Separei esses papéis de lembretes rosa para escrever sempre que algo bom acontecesse na minha vida, em 2025. A prática durou dois meses e meio, talvez menos, mas me serviu para encontrar esse papel hoje, no dia 436 de dezembro de 2025.
No início do ano, uma foto e uma frase foram o gatilho para eu sair do emprego. Se você me acompanha há mais tempo aqui e no instagram, já deve ter visto:
Ao longo do ano eu fui interiorizando essa Bianca que a minha versão mini gostaria que eu fosse. A frase (escrita por mim mesma, em um momento de crise de choro) parou de doer. Ainda não sou a pessoa que eu gostaria de ser (acho que isso é pura utopia), mas a cada dia que passa estou mais perto de ser a mulher que se orgulha de si mesma. Sou um pouco delatodos os dias e 2025 serviu para que eu acreditasse nisso. Agradeço à minha versão do passado por ter escrito esse tapa na cara, então decidi que em 2026 também quero uma frase para chamar de minha.
E passei o último mês procurando por ela.
Coloquei a régua lá no alto, queria que a frase de 2026 me atingisse da mesma forma que a outra. Queria que o mero pensamento me trouxesse emoção e determinação, que me balançasse como se fosse a primeira vez que escrevi uma frase em um post it e preguei na frente de uma foto minha para que eu me lembrasse, sempre, do meu objetivo.
Não aconteceu.
Eu não sou mais a pessoa que precisava disso para se movimentar. Nenhum pedaço de papel vai me atingir da mesma forma que aquele atingiu. Eu mudei em 2025, ainda bem.
Quero compartilhar como percebi isso, então vamos abrir outra aba nesse texto:
Sempre aguardei ansiosamente por dezembro. Primeiro era o mês em que eu iria para Mantena encontrar a família, ganhar presentes, ver o Papai Noel, esses trem tudo.
Depois, eram as férias da escola, o mês em que eu poderia virar as noites lendo sem a obrigação de acordar cedo. Mais tarde as noites de leitura foram substituídas pelas de escrita.
Então, a faculdade e o trabalho chegaram e dezembro era o meu mês de liberdade. E desde o fim da faculdade, em 2017, que eu anseio pelo último mês do ano como o mês em que eu poderia ter paz. Meu antigo emprego entraria de férias e, salvo raras exceções, ninguém de lá me incomodava pedindo qualquer coisa.
Ano passado, dezembro seria o mês em que essa paz viria junto com a escrita, depois de tantos anos. E eu escrevi em dezembro de 2024, muito. Terminei meu segundo livro, que eu passei anos rabiscando e brigando com a vontade e a coragem de publicar. Mas foi também o mês que eu menos tive paz. Não porque tivesse alguém do trabalho me ligando e pedindo coisas, mas porque eu teria que voltar. Tive a pior crise de ansiedade da minha vida e o desfecho disso tudo é o primeiro parágrafo desse texto.
Dia desses, depois do natal, eu entreguei a última leitura crítica do ano e liguei os pontos: eu trabalhei nesse fim de ano, muito! E que sensação boa, gente, a de não desejar com cada próton, nêutron e elétron do seu corpo que um determinado momento chegue só para ficar livre do que te faz mal.
É raro, não acontece sempre, então estou aproveitando para guardar essa sensação em cada poro.
E é por isso que nenhuma frase vai ter o impacto daquela. Eu não estou mais desesperada, não estou insistindo em coisas que me fazem mal. Talvez eu devesse fazer contas para janeiro, oferecer leitura crítica à rodo, mas me deixem apreciar meus últimos dias do ano com o alívio que eu mereço, obrigada. E com esperança também, porque 2026 vai ser ainda melhor.
E para não correr o risco de me chamarem de “pessoa chata que romantiza tudo e que sempre está feliz”, escolhi sim uma frase para me dar tapas na cara em 2026:
Baseada em todos os projetos que eu deixei de fazer esse ano e em todos os momentos em que eu não me senti boa o suficiente para alguma coisa, que em 2026 eu acredite no meu potencial.
Ps. A qualidade da impressão está uma merda porque eu não sabia que o papel fotográfico precisa de tempo para secar. Deixei assim mesmo, é outro tapa na cara que eu preciso: nada tem que ser perfeito para existir.






Que no final de 2026 você esteja celebrando ainda mais conquistas.