A personalidade de 2024 tá diferente
Divagações sobre medos, mudanças e esperança.
Eu já fiz uma retrospectiva. Não coloquei todos os acontecimentos, nem fotos de todos os meses, mas contei que 2023 foi o melhor ano da minha vida e o que mais importa eu guardo na memória.
E hoje é dia 1º de janeiro, o tempo de retrospectivas passou. Um novo ciclo de 12 meses começou há algumas horas e eu ainda não tive coragem de colocar minhas metas no papel. Sim, eu tenho metas, mas a síndrome da impostora bate forte quando penso em “oficializar” algumas coisas.
Eu tenho sonhos grandes. Tenho objetivos imensos, maiores que eu. Tenho angústias maiores ainda. Tenho inseguranças, medos, lágrimas guardadas bem fundo. Eu não sofro por antecipação, mas o sentimento sempre transborda quando o sangue tá frio. Pra coisas boas, controlo a expectativa, espero sempre o pior.
Eu me saboto o tempo inteiro.
E escondo a autossabotagem atrás de uma máscara cômica e pessimista. Muitas vezes, amarga. Fiz isso durante toda a faculdade e fiz depois. Até o nome da minha cachorra tem um pouco disso. Era o meu apelido.
Vandinha, a garota séria, mau humorada e sem esperança. Que sempre via o lado sombrio do mundo, o pior em tudo.
O pior em mim.
Mas em 2023 isso mudou. Eu mudei.
Descobri um objetivo e comecei a lutar por ele. Eu botei o pé no caminho e agi pra fazer o que eu sempre quis, desde o início: ser feliz. Antes mesmo de saber que eu queria escrever (e eu soube disso muito cedo, a dificuldade foi aceitar), eu já respondia as pessoas que me perguntavam o que eu queria fazer quando crescesse com “ser feliz”.
Mesmo assim, nunca fui uma pessoa otimista. Mesmo em grandes conquistas, eu colocava um pé atrás e pensava “mas e se tal coisa não acontecer?”. E aí, usava a característica de me adaptar facilmente pra fugir do plano B. De qualquer plano, na verdade. “A gente resolve na hora”, cansei de dizer. “O que tiver que ser, será” ainda é minha frase preferida.
Mas agora eu tenho aquela flor roxa que nasce no coração da trouxa: esperança. É, eu tenho sonhos grandes, objetivos imensos, maiores que eu. E 2023 me trouxe mais sonhos e objetivos e o adicional de acreditar neles, pra variar. Mesmo com medo, mesmo quando eu encaro a imensidão vazia que é o futuro e penso nos “e se?”, mesmo quando minha personalidade Vandinha vem me visitar.
E levar essa sensação pra 2024 é a minha principal meta do ano. Seguida bem de perto por “não desistir” e “fazer o plano A dar certo”.
Porque a real real mesmo é que não existe plano B.


