Aqui jaz mais um pedaço da impostora
As definições de impostora foram atualizadas
A cada dia que passa eu percebo mais pedaços da impostora em mim. Ela nunca vai morrer, eu sei, mas agora, pelo menos, parece um espelho quebrado. Em muitos pedaços.
Mas, Bianca, do nada isso agora?
Não, vou explicar.
Descobri recentemente duas coisas que me surpreenderam.
1. Meu inglês não é básico. É intermediário, beirando o avançado.
Descobri isso fazendo as aulas de inglês do nível básico.
Escolhi começar o curso desde o início imaginando que, por nunca ter estudado inglês da forma tradicional "válida" (as aulas que tive foram só as da escola) eu não sabia quase nada.
E aí tive uma epifania fudida que era óbvia desde sempre, eu que tava com a cabeça enfiada na terra:
Não aprendo apenas assistindo aulas. Muito pelo contrário. Os anos consumindo conteúdos em inglês me ensinaram muito mais do que o nível básico do curso. E esse conhecimento todo não é descartável só porque não foi ensinado por um professor dentro de uma sala de aula.
Pelo amor de deus, a mesma pessoa que aprendeu a tocar violão sozinha porque as aulas eram chatas ficava defendendo o acúmulo de conhecimento unicamente pela vivência da educação tradicional e teórica. Às vezes eu tenho vontade de bater minha cabeça na parede até a parede quebrar.
E a segunda coisa é mais óbvia ainda, se preparem pra sentir vontade de bater a minha cabeça na parede:
2. Não sou uma escritora iniciante.
Obrigada, Emanoel Ferreira por essa epifania. Tudo começou em uma das conversas do clube de escritores. Falávamos sobre leitura crítica e veio a facada: você sabe que escreve bem, ninguém precisa te contar isso. Sua parada com a leitura crítica vai muito além de saber se o seu texto ta bom, porque ele tá.
E pronto, o tripléx foi construído.
Mas ainda faltava a piscina na cobertura:
"Um cara que trabalhou 10, 20 anos como editor e resolve lançar um livro. Ele sabe tudo desse negócio, ele não é um escritor iniciante."
Um minuto de silêncio pela parte da impostora que se foi com esse argumento irrefutável.
Estudo escrita (de forma tradicional ou não) desde os 12, 13 anos. Talvez 10, quando escrevi meu primeiro poema. Ou aos 7, se contarmos as cartas que escrevi pro meu pai. Desde então eu leio e escrevo muito. De tudo. Sobre tudo.
Penso em primeiros livros de vários escritores, consagrados ou não, e percebo a diferença de trabalho com o texto quando comparo com Értom.
E eu não me lembro de quando fui escritora iniciante.
Quando eu era escritora iniciante, não me sentia escritora.
Posso ser iniciante no mercado literário, em alguns eventos, em publicações, mas em escrita... nem fodendo.
E por que to escrevendo isso tudo? Talvez esse seja o velório da impostora, minha extrema unção pra uma personalidade que me acompanhou durante toda a vida. Logo eu, que escrevi um livro inteiro só porque detesto velórios, estou me divertindo nesse.
E esse velório me lembrou de um vídeo que vi no instagram esses dias. Falava que as mulheres/pessoas aos trinta anos sabem o que querem, do que são capazes e não se espremem em qualquer lugar.
Em 2020, prestes a fazer 25, eu estava com o nariz escorrendo de tanto chorar porque achava que meu destino era ficar no mesmo lugar ganhando 1500 reais fazendo um trabalho que eu detestava porque não sabia fazer mais nada. Ali, eu aprendia que dinheiro nunca foi nem nunca seria o meu objetivo principal, apesar de ser importante. Muito importante.
Agora, sei que sou boa pra caralho em várias coisas. E sei que eu não vou me espremer pra caber em lugar nenhum que eu não queira. Eu sei quem eu sou, sei o que eu quero. E a cada dia que passa mais pedacinhos da impostora vão quebrando e virando farinha que o vento vai levar pra sei lá onde.
É... Acho que eu gosto desse negócio de chegar aos 30.
Mas que fique claro pra quem não fez as contas: ainda tenho 29.







Os impostores são terríveis! Eu brigo muito ainda com o meu. Mas vou aprendendo a autoaceitação, o senso de pertencimento, de legitimidade e ele vai ficando cada vez menor... Parabéns pelo trabalho com "Értom"!