Às vezes, não é preguiça.
Eu só demorei muito tempo pra aceitar que nunca foi errado ajustar as velas e mudar o curso.
Eu vivia correndo de pós-graduações. Morria de preguiça de direito civil, empresarial… Até do que era relacionado ao direito penal e criminologia, minhas matérias favoritas da época de faculdade. Recebi propostas, descontos, bolsas, convites de tudo quanto é jeito para, de alguma forma, trabalhar na "minha área". Nunca quis. Só um único concurso me convenceu e, quando vi o edital, eu não poderia assumir o cargo por causa da miopia. O destino nunca quis.
Estudar, me debruçar sobre um texto, ter que assistir não sei quantas aulas, rotina de estudo... Nem pensar. Eu já tive o suficiente disso tudo nos último 20 anos.
Corta para:
Eu, 2023, não só fazendo pós-graduação como vários outros cursos, e adorando cada segundo em que eu preciso ler, escrever, reler e reescrever meu TCC. "Minha área" não era a área que eu queria. E tudo bem. Eu só demorei muito tempo pra aceitar que nunca foi errado ajustar as velas e mudar o curso (sim, tem trocadilho aqui).
Nessa coisa de dar um giro de 180 graus na carreira (360 graus a gente volta pro mesmo lugar), eu percebi que a minha família estava certa quando mencionava uma das minhas “qualidades”: gosto de estudar. Desde que eu não seja obrigada. Desde que não seja sobre assuntos da minha “ex-área”. Desde que eu encontre algum propósito pessoal (é, sou egoísta) ou prazer no meu objeto de estudo do momento.
Desde que me faça feliz.
E escrita criativa me faz feliz desde sempre.
Às vezes, não é preguiça. É só esforço empenhado no lugar errado.


