Celebremos os dias de glória
pra fazer os de luta valerem à pena
Cheguei em Poços de Caldas/MG na quinta de manhã. Gostei do tempo frio, da Cláudia, que me fez companhia no transporte e separei uma mesa por dia para assistir. O destino sempre se encarrega de preencher o resto do tempo.
Como sou eu, consegui algumas proezas: me perdi em uma praça, caí no meio da rua (meu ritual de eventos literários), perdi horário, confundi as mesas (a minha não, amém), não reconheci pessoas conhecidas (sou péssima fisionomista)…
A vantagem é que isso tudo vira história pra contar. E inspirar. Enquanto me perdia, cheguei em um lugar que tinha um paredão de pedra na margem do rio e árvores ao redor, pensei em um cenário de livro de fantasia. Quantos elfos viveriam nas frestas e no interior das árvores? Quais batalhas seriam travadas ali? Algum corpo caiu e precisou ser içado?
Foco, Bianca. Foco.
Logo na entrada você via o palco principal: Sulfurosa. Descobri mais tarde que o nome veio de uma água. Ó:
Água sulfurosa é água que contém altos níveis de enxofre, normalmente na forma de sulfeto de hidrogênio (H2S), que lhe dá um cheiro característico de "ovo podre". É conhecida pelas suas propriedades terapêuticas, utilizadas para relaxamento muscular, hidratação da pele, tratamento de dermatites, e alívio de dores articulares, entre outros benefícios.
(Fonte: Pai Google)
Deve ser a água oficial dos demônios, por causa do enxofre.
Também descobri que existe diferença entre as águas minerais (ainda é meio bizarro pra mim) e tive a chance de comprovar (obrigada pelos novos conhecimentos, Mirian).
E eis que nos meus primeiros minutos de Flipoços, nesse tal palco, rolava uma conversa do Eduardo Bueno sobre a vida, o universo e conjecturas que fez sob a influência de determinada planta. De pé, no fundo da plateia, presenciei um dos momentos mais inesquecíveis do evento:
Eduardo: quem voltou no Bolsonaro pode sumir daqui, não é bem-vindo!
Salva de palmas, assobios, gritos da plateia…
Ele esperou o êxtase passar. Todos fizeram silêncio.
Eduardo de novo: e quem votou no Lula, também.
Silêncio.
Mais Silêncio.
O silêncio constrangedor mais delicioso que já ouvi em toda a minha existência.
Deu até frio na barriga.
Claro que o Eduardo, sendo quem é, capturou a atenção e afeição da plateia depois (não que tenha perdido), é isso o que os palestrantes exímios fazem. Quando eu crescer, quero ser assim.
Pois bem, os dias passaram e eu andei. Andei muito, é isso o que fazemos em festivais e feiras literárias. Encontrei amigos e conhecidos "antigos": Cibele, Samuel, Karine, Guilherme, Jaqueline, Henrique, Alex, Jenny… Conheci pessoas novas: Pedro, Gil, Miriam, Izabella, Gisele, José, Laura, Soraya, Maíra, Marina... a lista é longa, bem longa, assim como a minha empolgação e gratidão pelos dias sentindo frio (em BH, tá cada vez mais raro).
Teve mesa sobre a Palestina, teve Itamar Vieira Jr., Nanny People, literatura e sarau Neomarginal, lançamento de livro, teve bar e música ao vivo e teve, é claro, nossa mesa.
O tema foi “Literatura e Família – Maternidade, Paternidade e dramas familiares na literatura contemporânea”. Fiz a mediação e meus colegas de mesa foram: Karine Asth, Cibele Laurentino, Guilherme de Marchi e Jaqueline Lima. Meu trabalho ficou mais gostoso porque eu já conhecia todos os participantes, uma grata surpresa do destino. Falamos sobre os silêncios que temos em família, parentalidade, expectativas, saudades, lutos e, é claro, sobre a influência da família na nossa literatura.
Pra mim, caiu como uma luva. Mesmo que eu não estivesse escrevendo um livro que fala de abandono parental, Értom mesmo existe por causa da minha experiência nos rituais de despedida de quando minha bisavó faleceu. Além dele, “Bisa”, meu conto da coletânea “Em Cada Canto: Cinco Contos de Natal” retrata um Natal em família que, exceto pela parte fantástica, é idêntico aos que eu passava em Mantena/MG, quando era criança.
Pra primeira vez mediando uma mesa em evento literário, voltei satisfeita. Tanto pelo feedback das pessoas quanto pela minha própria exigência.
No dia, acordei ansiosa. Ao longo da manhã a ansiedade passou e na hora do “vamo ver” mesmo, eu estava tranquila.
Depois da mesa, foi aproveitar o resto do Festival.
Na boca, ficou o gosto da saudade e os planos de voltar ano que vem. Poços de Caldas, como boa cidade mineira que é, foi acolhedora e encantadora. Voltei pra BH com um pedacinho dela em mim e sei que deixei algo meu lá.
Pra completar o ciclo do #namastê #gratiluz, Értom alcançou o Top #3 na Amazon hoje.
Se você estiver lendo essa news no dia 8 ou 9 de maio, ainda dá tempo de comprar o livro por 0 dinheiros.
E me contem o que acharam depois, eu adoro conversar com leitores.
A lição de hoje é que a vida presta, cambada. De vez em quando até que ela presta.








Graças a Deus a vida presta e a literatura também!
A vida presta! Inclusive quando oferece possibilidade de ler Bianca. Curto seu estilo, Bia. Tem fundamento. É sério. É divertido. É d.i.v.e.r.t.i.d.o! Antes de ser Peninha quando crescer (tb curto ele), quero ser Bia!! 😂😂😂. Parabéns.