Diário rápido de viagem
Antes de voltar à programação normal...
14 de julho
Enfim, quase casa. Quase. Ainda estou em Salvador, esperando o horário da conexão pra BH. Vou chegar no aeroporto de confins às 18h55 e saí da casa em João Pessoa às 10h.
Quase perdi o voo, por sinal, mas o que é a vida sem a sensação de desespero pra mostrar que ainda corre sangue nas nossas veias?
Falando em desespero, uma criança estava desenhando perto de mim, na sala de embarque. Do nada, olhou pro espaço vazio ao seu lado e perguntou: quer desenhar também, amiga? Tomara que seja escritora e converse com seus personagens também.
A outra possibilidade não me agrada. Não com ela tão perto.
Mas vamos ao resumo dos últimos dias, afinal, a fofoca que edifica é mais importante que os fantasmas nas salas de embarque.
Minha jornada pela terra fantástica do Nordeste começou em Salvador. Tem voo direto de BH para João Pessoa, mas custava um rim e eu não tenho bebido muita água. Água caía do céu também, pra caralho. Pensei que não iria decolar, porque sou otimista e porque meu histórico com voos e chuva não é muito bom, mas deu certo. Cheguei em João Pessoa na segunda de tarde e fui para o apartamento da Ana Daviana, minha anfitriã na Paraíba. Eu estava com saudade das conversas filosóficas de madrugada, regadas à álcool e literatura. Ainda bem que tivemos várias dessas nos dias seguintes.
Na segunda eu caminhei por João Pessoa, apesar da chuva. Não teve praia nem pôr do sol do jacaré, mas teve hambúrguer artesanal de 30 reais. Em BH é, no mínimo, 50.
Terça fomos para Recife. Participei do sarau Lugar de Palavra, organizado pela Dani Rangel e conheci a Dona Pica/Bilola de Brennand. Uma escultura em formato fálico que ganhou esse nome porque um macho se ofendeu com uma crítica. O nome na certidão de nascimento é "torre de cristal", bem mais sem graça.
Na quarta tomei café olhando pro mar com a Dani, Daviana e Cibele Laurentino e fui apresentada por meus anfitriões (Dani Rangel e o marido) pra Olinda. Já que estamos no assunto de órgãos sexuais, comprei um presente pra minha avó, que será usado pelo meu pai: um abridor de garrafa em forma de pinto.
Queria comprar um chapéu de cangaceiro com chifres pro meu irmão, mas estava caro, eu não tinha espaço na mala e andar com um desses na cabeça dentro do avião seria bizarro.
Sou ótima escolhendo presentes, eu sei.
Em Olinda também visitei um museu de arte sacra que vai virar cenário de conto de terror. Um dia.
Quinta foi dia de viajar pra Tabatinga e participar do lançamento do clube de escrita Palavras em Movimento, inspirado no Clube de Escritores de BH. Fiquei emocionada e a vergonha da escritora que vos fala chorando no ônibus eu não preciso contar de novo.
Sexta teve praia com chuva e testei um trecho do livro 2 no Sarau "Arte e Literatura". O feedback tem sido bem positivo.
Fiz um post sobre isso no instagram.
No sábado foi o encontro Nacional de Escritoras e eu saí dessa edição com o sentimento de encerramento de ciclo. Passei de fase, sinto. Penso em minha jornada até aqui e vejo a Bianca de hoje bem mais preparada que a de 2023. É hora de voar.
No domingo teve brunch, piscina, centro histórico de João Pessoa, ecobag da Rita Lee e do Raul Seixas, jazz e despedida.
Na minha mala vieram projetos, aprendizados, gratidões, amizades, saudades e um bolo de rolo que tenho planos de dividir com minha família só se me pagarem muito bem.
Spoiler: não pagaram e eu dividi.
E vou voltar no verão.
Sobre comidas: sigo amando carne de sol com mandioca, mas prefiro a do norte de Minas (é quase nordeste, então devo ser perdoada). Gostei do arrumadinho, mas meu coração foi fisgado mesmo por outras duas comidas: bode com macaxeira e bolo de rolo (que é 455 mil vezes melhor que rocambole).
São Paulo acabou com o cuscuz (assim como fizeram com o pão de queijo) e a fava e o sarapatel são bem bons também.
Carne de sol não é a mesma coisa que charque e ainda não decidi qual delas prefiro. Na dúvida, como as duas.
Do lado negativo tem só um: rubacão. Porque misturaram nata com carne eu não sei, mas tem gente que gosta. Na primeira garfada eu senti um gosto de canjica (a do sudeste) e minha cabeça deu um nó.
Ah, provei Pippos também. Dizem que tem sabores melhores que outros, então devo ter comido o do sabor errado.
Bônus
Mulheres fodas que conheci na viagem e que valem à pena conhecer:
Ps. É claro que voltei com ideias novas pra projetos novos.




