Do contra
A escritora que vos fala quer fazer o que não fez nos últimos 12 anos
Quando eu era adolescente, tinha uma revolta bem revoltada com tudo o que virava "modinha".
Se todo mundo gostava, então muito provavelmente eu detestaria. Das pouquíssimas exceções, lembro só de duas: Crepúsculo e X-men.
O mesmo se aplicava para as regras que não faziam sentido e pro efeito manada: quando todo mundo fazia alguma coisa, eu insistia em fazer o contrário.
(culpa sua, mamãe, eu não sou todo mundo)
Em um dos dias mais desanimadores da minha vida (colação de grau), a orientação estava escrita em negrito: usem sapatos pretos.
Apareci usando plataformas de 15 cm, cor-de-rosa, bem discretas (sério, era um nude meio rosado, nada espalhafatoso com glitter ou neon). Como se o cabelo ruivo da época não chamasse atenção o suficiente, eu sou lembrada como a menina que brigou com a equipe de organização do evento.
Resultado? Tive que trocar de sapato com a minha mãe.
(é, ela me avisou e foi de sapato preto porque "imaginou" que poderia acontecer alguma merda com minha plataforma rosa. Mães.)
Não sei exatamente quando essa revolta passou, mas passou, amém. Mesmo assim, uma personalidade meio rebelde ficou. Gravei um reels em que ela aparece: esse aqui, em que eu digo que um escritor não precisa seguir as regras.
Juro que é só alguém me falar que eu TENHO QUE ESCREVER UM LIVRO SEGUINDO A ESTRUTURA NARRATIVA Z E CONSTRUIR OS PERSONAGENS DO JEITO X pra alguma chavinha na minha cabeça virar e eu usar a estrutura B e construir personagens do jeito C porque a minha história não precisa disso e eu não sou obrigada a nada.
(talvez eu devesse tratar esse traço na terapia, mas eu to procrastinando ela também.)
O problema é que esses trem dão certo pra mim.
Exemplo 1: todo mundo adorava uma certa fulana no Tribunal, aí eu falava "sei não... Parece ser assim, assim e assado". Algum tempo depois, vinha a prova: eu estava certa. Aconteceu muitas vezes.
Exemplo 2: comprei cursinho pra passar na OAB. Assisti umas 10 aulas no máximo, troço chato. Preferi sofrer lendo o Vade Mecum inteiro enquanto ouvia Iron Maiden no talo. No dia da primeira fase, voltei pra casa com TODA A CERTEZA DO MUNDO QUE EU NÃO TINHA PASSADO NAQUELA CARALHA E EU DEVERIA TER OUVIDO MEUS PROFESSORES E COLEGAS QUE DIZIAM QUE NÃO TINHA COMO PASSAR NA OAB SEM ESTUDAR MUITO.
Resultado: passei de primeira. Nas duas fases.
Exemplo 3: meus colegas de sala passaram no mínimo 6 meses escrevendo o TCC. Todo dia era um surto diferente porque o orientador falou sei lá o quê pra não sei quem. Eu? Travada. Não conseguia escrever uma única linha. E foi assim durante muito tempo.
Até que 2 semanas antes da entrega real oficial do TCC, eu caguei um trabalho. E passei. E até peguei alguns freelas de ghost de TCC pra outras pessoas depois.
(o combustível foi ódio e pavor de ficar mais um semestre na faculdade, mas quem liga pra motivação quando o resultado é positivo?!)
Exemplo 4: obriguei meu avô a me dar um violão quando eu tinha 14, 15 anos. Alguém conhecia um parente de outro alguém que era professor de violão e morava perto. Fui lá. Fiz 3 aulas antes de desistir, eu quase dormia toda vez. 40 minutos de dedilhado? Sério? Assisti à quarta porque o mês já tinha sido pago.
Aprendi a tocar sozinha, usando meu próprio método adolescente anti-sistema de ensino tradicional. #DIY.
Isso tudo pra dizer que eu, de novo, to pegando a contramão.
Resistindo à superficialidade dos vídeos de 1, 2 minutos e dos textos com limitação de caracteres, a escritora que vos fala, pra variar, resolveu nadar contra a corrente. Agora, nessa newsletter, uma vez por mês (espero) vocês vão conhecer uma escritora (ou escritor) nova (ou novo).
Mas nada de foto do livro, resenha que é resumo e sinopse. Vai ter isso tudo (menos a resenha-resumo), mas vai ter também uma entrevista com essa pessoa. Sobre a vida, o universo e o livro.
("4 perguntas pra conhecer o fulano" é o meu você sabe o quê)
Eu quero detalhes, respostas longas, textão. Saber de onde saíram as ideias do livro, como a vida influencia a arte, que parte da arte a pessoa leva pra vida.
E quero divulgar a literatura nacional. Quero que vocês conheçam outras pessoas, outros textos, outras vidas.
(a Bianca de 15 anos ficaria muito puta comigo, mas agora eu quero que a literatura brasileira vá para o mainstream)
(e escolhi o jeito menos mainstream de 2025 pra divulgar livros, nem eu me entendo.)
Acho que, no fundo, eu só quero fazer o que não fiz durante os últimos 12 anos, desde que entrei na faculdade. Eu quero fazer o que eu quiser.
E agora eu quero entrevistar autores.
(ainda vai ter texto confuso aqui, prometo.)



Adorei a Bianca do contra! E adorei a ideia das entrevistas!
Bianca, curtindo moooooito seus textos muito ou nada “do contra”. Vc me diverte com sua arte!! Parabéns.