E o meteoro
nunca chegou...
E o mundo, hein? Descacetado. Nem sei se como sempre, às vezes parece que só tá piorando. E às vezes eu penso que a internet que ajuda parecer pior. Antes, pra notícia chegar na gente ela precisava viajar uma caralhada de tempo. Agora, se demora 5 horas já é muito. Aí junta notícia bizarra chegando toda hora, gente maluca brotando do inferno e as redes sociais que nos permitem assistir de camarote o nosso the office favorito em tempo real…
E o mundo, hein? Já passou da validade.
Tá, vou ser otimista, o mundo até que é tranquilo. O problema é o tal do homo sapiens. Esse sim já deu errado há muito tempo (desde que parou de ser presa de dinossauro) e continua cagando no pau com a mesma frequência que eu queria escrever.
E eu que pensei que fosse acabar em 2020…
Nunca gostei de escrever as tais crônicas “clássicas”, aquelas que pegam um acontecimento e dissertam sobre. Primeiro porque eu não me acho especialista de porra nenhuma nem com conhecimento o suficiente pra tecer comentários sobre assuntos relevantes da atualidade. Segundo porque eu tenho preguiça de pesquisar pra entender o suficiente os assuntos da atualidade pra só então tecer comentários sobre eles. O máximo que eu posso fazer é emitir minha opinião baseada no achismo e meu achismo pode mudar radicalmente de uma hora pra outra. O que é normal desde “metamorfose ambulante”, mas esqueceram de passar esse memorando pro povo da internet.
Pelos motivos expostos no parágrafo anterior, custei pra assumir que escrevo crônicas. Minhas divagações sobre tudo e nada eram só coisas aleatórias, delírios de uma mente fértil, textos agênero… Sei lá. A personalidade impostora pesa mais quando as vozes na minha cabeça têm um argumento lógico. O lógico, obviamente, também é baseado nas vozes da minha cabeça. Ou seja: no fim das contas nem o lógico é lógico. Nem na minha cabeça e nem no mundo.
Mas isso é bom pra literatura.
E ruim. Porque se nós, escritores de ficção, vivemos inventando coisas malucas o suficiente pra surpreender os leitores, como é que fica a criatividade e inovação nesse mundo descacetado? Eu nem falo em escrever distopia mais, gente, essa definição também tá vencida.
“Nada se cria do nada”, “não existe originalidade completa”, pipipipopopo eu sei. Todos os dias eu levanto da cama e penso “tem um milhão de jeitos de contar a mesma história”, então a minha arte tem motivo pra existir e espaço no mundo blábláblá, mas, cara… Tá foda competir com a realidade. Daqui a pouco o único gênero de ficção vai ser a fantasia. E só algumas, porque deve ter algum maluco nesse mundo que bebe sangue humano 3 vezes por mês e dorme em caixão. Ou que fez implante capilar no corpo inteiro e uiva pra lua cheia. Ou um que...
Deixa pra lá, melhor não dar ideia.
Pensei em um exercício de escrita/experimento social aqui, agora: faltam 28 dias pro meu aniversário, quantas coisas bizarras vão chegar até mim nesse tempo? Quantas delas poderiam facilmente sair da cabeça de um escritor? Quantas pareceriam absurdas até pra ficção? Quantas são ruins e quantas são boas? Quantas vão me surpreender? Quantas vão virar texto?
Vou tentar documentar e, se tudo der certo, no texto do dia 19 de junho, um dia antes do meu aniversário (anotem na agenda), trago as respostas pra vocês.
Pensem, façam seus palpites.
eu já tenho os meus.


