Enfim, TCC entregue
E outras coisas...
Pra quem tem o dom de procrastinar, como eu, não é raro acontecer de terminar um trabalho em 2, 3 dias, com o prazo estourando bem no meio da fuça. Na faculdade a minha rotina era de muito café, desespero e hiperfoco pelo menos 3 vezes por mês. Escrevi meu TCC em duas semanas na força do ódio e estudei pra OAB sei lá como.
Agora, fazendo Pós-graduação em Escrita Criativa e Carreira Literária, decidi que seria diferente. Eu amo escrever, e o TCC é um livro. Eu não deixaria esse trem ficar ruim, com a literatura não.
E não deixei. Tive sim meus momentos de hiperfoco, mudei de livro e escrevi o estudo crítico sobre o processo de escrita em 3 dias.
Mas aproveitei cada instante. Até os últimos 20 minutos antes de escrever este texto, enviando o bendito e-mail com o assunto “Entrega-TCC’. Mas o assunto nem era esse…
O estudo crítico, na minha cabeça, seria um trem chato que me infernizaria. Pra queimar mais ainda minha língua, não foi. Ele, inclusive, me ajudou a analisar meu texto de outros ângulos.
Pra comemorar as ressignificâncias da vida, vou deixar o trecho inicial dele aqui, com as devidas censuras pra evitar o pecado do spoiler.
Estudo Crítico
O processo de escrita de “TÍTULO MISTERIOSO”
Por Bianca Pontes
A necessidade (ou Introdução)
De onde vêm as ideias? Sempre me fazem essa pergunta quando digo que sou escritora, seja nos eventos literários ou fora deles. A verdade é que eu não sei. Acredito que nasci com esse neurônio a mais (ou a menos) que me permite enxergar o mundo de um jeito diferente. Também não sei se todos os escritores são assim. No meu caso, as ideias vêm, uma atrás da outra, o tempo inteiro. 99,9% não viram texto (ou não viraram ainda), mas elas surgem e na minha cabeça vou fazendo uma lista com coisas que acho interessantes.
Tenho um quadro de post it’s com ideias anotadas. Meu bloco de notas do celular não tem fim. Minha pasta de ideias para textos no one drive é imensa. Papéis em cima da mesa, anotações no tablet, cadernos e mais cadernos rabiscados às pressas, fora as que eu tenho só na minha cabeça.
Agora mesmo, escrevendo esses dois parágrafos iniciais, tive três: 1. uma personagem que interrompe todas as conversas para contar a ideia que teve naquele momento; 2. uma fantasia em que existe uma árvore de ideias e as folhas surgem à medida que as pessoas imaginam algo “novo” e 3. uma sociedade pragmática, em que tudo é feito do jeito que é e qualquer tipo de evolução é considerada tecnologia alienígena.
Com esse tanto de coisa aparecendo na minha cabeça o tempo inteiro, é irônico pensar que a ideia para “TÍTULO MISTERIOSO” não tenha vindo de nenhuma observação aleatória em conversa, livro, filme, série, jogo, transporte público, caminhada, viagem etc. Também me perguntam se o que vem primeiro é a história ou o personagem. Nesse caso, o que veio primeiro foi a vida.
“TÍTULO MISTERIOSO” é uma autoficção em que a ficção é a menor parte do texto. A vida aconteceu quase da mesma forma que no livro, eu só juntei as memórias e transformei em arte. Não por ter a pretensão de escrever um livro ou publicar, mas por necessidade. Eu precisava contar para o meu pai biológico (no livro, chamado de “Demônio”) o que eu sentia. Primeiro, pensei que fazer isso iria magoá-lo. Depois, que ele se afastaria ainda mais. Até que, enfim, percebi que não ouviria.
Mas eu ainda estava entalada.
Se na terça que vem eu estiver de bom humor, trago mais trem sobre o livro pra vocês.
Falando em terça, sim, eu mudei vocês de dia. Na quinta vamos ter o O Perfil e, na terça, essa news em que vos falo.
Temos três entrevistas já disponíveis:
Se inscrevam nela pra receber notificação e e-mail sempre que tiver entrevista nova.
Amanhã, vou falar de fim do mundo com alguns participantes do Clube de Escritores. A live será às 16h, no instagram e no youtube do Clube.
Pot fim, agora que o TCC está entregue, sigo na direção de novos projetos. Fiz algumas enquetes no instagram para definir características básicas para um conto. Pretendo fazer lives compartilhando o processo de escrita dele em breve. Talvez, aqui no substack mesmo.
O que tenho sobre o conto, até agora é:
Romance, protagonista teimosa, narrado em terceira pessoa e ambientado em um sítio. To ansiosa pra saber as cenas dos próximos capítulos!



Ei Bianca, como eu curto seu jeito de escrever! Eu também tenho muitas ideias, às vezes atropeladas e sobrepostas (característica de geminiano né?). Muitas pq, para uma coisa, um pensamento e sei lá mais o quê, me aparecem muitas opções. É um eterno “ou então pode ser assim…”. Ao contrário de vc, via de regra, eu não as registro confiando que vou lembrar depois. E aí? Claro que somem mas acredito que ficam guardadas em algum lugar dentro de mim. Um prazer ter contato com vc e com seus escritos. Não pare!
ET: não sei se comentei no lugar certo 😬🤪🫢
Oi! Eu não sei de onde surgem minhas ideias. Para ser sincero, tenho me achado cada vez menos criativos. Acabo tendo a sensação de que vivo só reciclando as mesmas ideias que tive há vinte anos. Este ano será a minha vez de começar uma pós em Escrita Criativa e espero que assim consiga destravar minha criatividade.
Sobre escrever para o pai biológico e nomeá-lo de "Demônio", puxa, eu me identifiquei deveras aí. No meu caso, o Tinhoso já morreu. Se bem que acho que ele nunca leu qualquer coisa que eu tenha escrito... mas pode ser uma experiência boa, sabe? Escrever tudo o que eu sinto e penso sobre esse cara que foi qualquer coisa, menos pai. Mas não é sobre mim, é sobre seu texto. Bem, eu fiquei com uma "invejinha" da enxurrada de ideias. Tem alguma dica para despertá-las?
Sobre a live que a gente vai fazer, estou bastante ansioso. Quero expor minhas teorias escalafobéticas, mirabolantes, delirantes... rs... sem falar que uns 30 anos atrás eu era fascinado no fim do mundo bíblico. Acho que vamos ter um bom papo amanhã! Até!