Eventos, viagens, traumas e lágrimas de felicidade
Um apanhadão dos últimos dias
9 de julho
Dormi ouvindo o som do mar. Poucas vezes tive essa oportunidade. Adoro Minas Gerais, mas essa falha de caráter é o nosso tendão de Aquiles, tanto que sequestramos Guarapari e temos planos secretos de tomar Cabo Frio. Vai ter guerra armada de pão de queijo, juro.
Não contem pra ninguém.
Agora, estou escrevendo ouvindo o mesmo som. É quarta e uma dor de cabeça vem lá do fundo, talvez seja TPM, ou ressaca, ou os dois.
Ah, não contei onde estou.
Em Recife/PE, depois do Sarau Lugar de Palavra organizado de forma brilhante e cuidadosa pela Dani Rangel. É na casa dela e da família que eu estou.
Atualização de 11 de julho: no dia seguinte visitamos Olinda. Amei a cidade e rolê e tirei minha conclusão: não tem mais ladeiras que BH e Ouro Preto.
O livro da Dani, “Tudo sob controle”, tem crônicas e contos sobre maternidade e relações familiares, é bem difícil alguém não se reconhecer em pelo menos uma das crônicas. Recomendo demais.
Antes de Recife, passei por João Pessoa e fui recepcionada por outra escritora que admiro: Ana Daviana (e pelo Tomé, não podemos esquecer que ele também é dono da casa).
A Daviana escreve sobre a cultura interiorana nordestina, que em muitos momentos se assemelha à mineira. Também recomendo “Essa Mundana Gente”.
Amanhã, volto pra Paraíba pra mais sarau, um happy hour literário ainda sem nome, o encontro regional de escritoras e o brunch que tem no dia seguinte. 4 dias intensos antes de pegar dois voos e voltar pro frio de BH. Claro que vou roubar algumas horas pra encontrar meu moço preferido: o mar.
Atualização de 11 de julho: o happy hour ganhou nome: palavras em movimento. Cibele Laurentino e Ana Daviana criaram um clube de escritores na Paraíba inspirado no Clube de BH. Nosso menino está crescendo, fico emocionada.
10 e 11 de julho
Sonhei a noite toda que eu estava trabalhando no TJMG. Pra quem não sabe, saí de lá pra viver de arte. No sonho, eu estava ansiosa porque alguém falou que iria convencer outro alguém a me dar não sei o quê. Aí eu precisava esperar uma deliberação e foi na ansiedade do resultado que acordei.
Precisei de alguns segundos pra me situar: calma, você está em Recife, saiu do Tribunal, não tem mensagem de juiz no seu whatsapp, não tem que bater ponto, não tem fiscal de empresa te esperando pra saber se você está mesmo trabalhando ou só jogando joguinho no celular. Você é escritora.
Já falei algumas vezes que acredito em sinais, que borboletas são prenúncio de coisas boas, que sempre que algo ruim acontece é porque vem coisa boa em breve, misticismos e leis de retorno etc. Também acredito em sonhos, mas esse talvez tenha sido apenas resquícios de um trauma não curado. E um lembrete pra focar nas coisas boas.
Porque:
1. Értom está sendo lido por um clube de leitura esse mês e recebi uma série de vídeos e depoimentos lindos de várias leitoras falando sobre ele.
2. O clube Palavras em Movimento, inspirado no nosso Clube de Escritores de Belo Horizonte nasceu e tivemos uma noite linda de conversa e pizza.
3. Vim pro nordeste por causa da literatura, prova de que sim, eu sou escritora e nasci pra isso (preciso me lembrar nos dias ruins).
4. Estou de TPM, logo, mais sensível. Foi só por isso (aham, Cláudia) que chorei no ônibus voltando de Recife.
Além de escritora que conversa com vozes da cabeça, ela chora em público. Detesto meu lado canceriana.
Sinto falta da segurança financeira que o direito me dava. Mas só disso. Junto das lembranças de certeza de que todos os boletos serão pagos em dia, lembro das crises de ansiedade, das raivas, da rotina de ter que bater ponto, da manutenção de egos e desejos de crianças de 50 anos, dos interesses pessoais influenciando em políticas públicas… O dinheiro não compra tudo.
Não comprou minha paz de espírito.


