Existem dois tipos de pessoa no mundo
E duas formas de aprender uma habilidade
Voltei pro crochê. Influenciada pela minha mãe, que, um ou dois anos depois do meu primeiro surto crocheteiro, comprou lã, agulhas e, do nada, começou a estudar ponto baixo, baixíssimo, alto e não sei mais o quê. Eu a vi com o material todo em mãos e pensei “por que não?”. O resultado é uma roupa de gato ainda inacabada.
Da primeira vez, tentei fazer um cachecol que depois virou touca e no fim não virou porra nenhuma. Deixei o troço inacabado em algum canto da casa e até hoje não sei que fim teve.
Tenho memórias turvas da minha primeira peça de crochê molhada, na pia do banheiro. Conhecendo a família que tenho, é bem possível de terem achado que era um trem aleatório pra limpar vidro.
Agora, comecei no cachecol de novo. Marrom, com pontos nem altos nem baixos. Na segunda fileira a dona da lã toda pegou meu novelo e me entregou o cinza. A peça dela (um casaco) será marrom e bege.
Fiz algumas fileiras cinzas antes de descobrir que o número de pontos por linha estava diminuindo. Não desfiz nada, continuei crochetando, mudando de destino no meio do caminho. O projeto de cachecol virou um projeto de roupinha de gato. Fiz os buracos (gosto de usar nomes técnicos, como podem perceber) das patas e medi mais ou menos no Légolas. As vozes da minha cabeça disseram que foi certo.
A roupa felina quase virou uma máscara de super herói, mas o espaço entre os olhos ficou grande demais.
Hoje mais cedo, percebi que, de novo, diminuí o tamanho das fileiras. Aí bateu o desespero. Ocorre que o moço elfo (conhecido como “meu gato”) é gordo. Diminuir a fileira é a mesma coisa que correr o risco de ter que trocar o nome da peça. De novo. Foi aí que obriguei o Légolas a experimentar sua futura indumentária.
Serviu, amém.
Mas preferi aumentar a circunferência das fileiras seguintes, já que a pança do moço é rechonchuda. Usando toda a lógica que as vozes da minha cabeça me forneceram, fiz pontos em dobro na fileira seguinte e rezei para dar certo.
A senhora minha mãe, ao contrário de mim, desfaz sempre que erra um ponto. Já começou e recomeçou o tal casaco umas 345 vezes. Ao contrário de mim, assiste tutoriais a cada 5 minutos, revisita a receita sempre que tem dúvida e crocheta contando. Um, dois, laça, três, quatro, termina… O resultado, é claro, é um milhão de vezes mais limpo que o meu. E mais reto, mais lógico, fundamentado…
Eu tô seguindo o fluxo. Aprendi, há um ou dois anos, os três pontos básicos e me dei por satisfeita, peguei meu diploma imaginário de especialista em crochê, enfiei debaixo do braço e fui praticar. Tive um mês de prática antes de cansar. Meu prazo pra terminar a roupa do gato é de um mês também, já estou no terceiro dia.
Esses hobbies momentâneos me acompanham desde sempre. Já tentei de tudo por pouco tempo, meu aprendizado sempre fica na superfície. As únicas exceções são: violência doméstica e escrita.
Violência doméstica porque eu trabalhava com isso no Tribunal. Não era um pré-requisito, mas eu mergulhei no assunto durante muito muito muito tempo.
A escrita, você que me lê, já deve presumir e saber que é muito mais que o meu trabalho. É meu hiperfoco, meu propósito. Não é à toa que faço um curso atrás do outro desde outubro de 2022 sobre escrita, publicação e divulgação de livros.
E, mais recentemente, iniciei um curso de roteiro, pra expandir minha atuação, meus horizontes e meu conhecimento sobre escrita.
É claro que eu iria mencionar o curso de roteiro aqui.
Não sei se algum dia vou encerrar meus estudos sobre escrita. Nem se vou entregar o presente do meu gato. O que tem acontecido, com a escrita, é que estou mais seletiva. Estou buscando aprendizados e experiências mais específicas e menos superficiais.
No crochê, sigo seguindo o fluxo. Ouvindo as vozes na minha cabeça e rezando pra dar certo.



onde você faz os cursos de escrita?? pode indicar algum?