O nosso chá revelação de cada dia
as vozes na minha cabeça não estavam preparadas
Fiquei na dúvida sobre o que postar aqui hoje. Não que eu não tenha assunto, assunto é o que não falta. O rolê é que nem sempre é algo que me anime a escrever um texto.
Também não é falta de inspiração, até porque essa moça é um mito. Se o Orkut ainda existisse, eu seria frequentadora assídua da comunidade “inspiração é utopia”.
Não me entendam mal, não sou adepta dos radicalismos (Deus me dibre), ela existe sim, em momentos raríssimos, aparece uma vez a cada cinco anos, talvez. Se eu fosse esperar a Dona Inspiração, não teria escrito dois livros em dois anos.
Falando em livro (vejam: os assuntos surgem), recebi o relatório de leitura crítica do segundo romance E a devolutiva da faculdade sobre o TCC. Fiquei feliz, muito, é claro. É só que hoje eu estou com preguiça de escrever com detalhes tudo o que veio junto do combo “Avaliação do meu texto”. Deve ser sono ou princípio de gripe/resfriado ou os dois. O nariz tá entupido desde ontem e eu virei a noite vendo série.
“Doces Magnólias”, a série. Estou gostando, apesar do chá revelação que levei na segunda temporada com as menções de caráter religioso. Não é o principal e nem me incomodou (só incomoda quando forçam a barra e jogam “a bíblia fala x y z” a cada 5 minutos ou quando usam discurso de ódio, disfarçado ou não), mas fiquei com medo de ter mais uma desilusão com as séries que me conquistam. Estou no meio da terceira temporada e ainda não passei raiva, bom sinal.
É baseada em um livro da Sherryl Woods, uma autora de romances fofos que eu gosto. Mais um ponto.
Voltando ao meu livro: é oficial, eu digievoluí. Tenho um texto completamente diferente de “Értom”, mesmo assim identifico evoluções, amém. Percebi antes da LC, mas a personalidade impostora precisava da avaliação de outra pessoa pra acreditar. Consegui deixar a voz da impostora adormecida durante o processo de escrita, mas foi só receber “vou te mandar o relatório hoje” da leitora crítica que eu duvidei de toda a minha existência.
O texto tava uma merda, muito dramático, impessoal demais, perdi a noção, não nasci pra escrever autoficção, seria melhor ver o filme do Pelé e voltar pro Direito… E a minha maior insegurança nesse projeto: poesia.
Pois é, eu me meti a escrever poesia, com poemas (são coisas diferentes, talvez eu explique em outra news). Dentro do cérebro da escritora que vos fala, era maluquice, falta de noção e de senso crítico. Mesmo assim, a ideia de colocar poesia no texto tava me incomodando que nem coceira de bicho de pé: impossível não futucar. Futuquei.
E aí veio o chá revelação mais revelador:
(trago prints, trabalho com eles)
Ô, gente…
Gente…
GENTÊÊÊ!
Como que lida com isso? Até pouco tempo atrás minha experiência escrevendo poema era capenga: uma na quarta série, alguns sonetos bem ruins na adolescência e uma poesia feita às pressas em um sarau, em 2023.
Sabe o trem de dar conselho pros outros e não seguir os próprios? Vale aqui também. Eu sei avaliar uma poesia. Ritmo, som, imagem, suspensão, metáfora, com rima, sem rima, o não-escrito… até sílaba poética eu sei contar.
Mas escrever poesia é outra coisa. Eu escrevia as do livro e pensava “eu não sei o que fazer aqui, vai assim mesmo. Qualquer coisa finjo que nunca nem vi.”
Aí do nada: tá ótimo.
E sem leitura crítica, sem edição, sem ninguém pra dizer “melhora isso aqui que tá uma merda”? Na prosa eu consigo criar uma linha de raciocínio lógica pra escrever. Saio do x, chego no z, passo pelo abc e pronto, tenho um texto. Até nessas crônicas submersas no fluxo de consciência eu consigo entender a lógica.
Mas a poesia…
Poesia a gente sente mais, pensa menos, bem menos.
Eu tenho TDA, caramba, se tem uma coisa que eu faço é pensar.
Acho que já perceberam que eu passei dias pensando nisso (ah, a ironia!) e não cheguei em conclusão nenhuma, só senti.
Ok, aceitar dói menos.
E assim terminamos essa news, concluindo que é melhor não concluir.
Puta merda, eu sou poeta.





Adorei a conclusão inconclusiva. E habemus poetam (como não sei latim, não faço ideia se é assim que se escreve... kkkkkkk)!
Agora, sério, vamos celebrar a revelação da poeta. Quem sabe com um sarau do clube? Hein? Heeeein?
eu quero ler esses poemas. Amei saber.