Para a Bianca de 13 anos:
Deu certo.
Na sétima série descobri que existe um negócio chamado “bienal do livro”. Era aula de literatura e eu tinha acabado de ler “A marca de uma lágrima”, romance do Pedro Bandeira. Já havia devorado todos os livros da série dos Karas e qualquer história que tivesse o nome dele na capa.
Pausa aqui para uma informação aleatória: eu cheguei a escrever fanfic dos Karas antes de sequer saber o que era fanfic.
A tia Cynthia (que veio conversar comigo recentemente, pelo lançamento de “Értom”) falou sobre um lugar mágico onde várias pessoas se reuniam para falar de livros, comprar livros, respirar livros. E a melhor parte era que tinha a participação de autores.
Em BH, naquela época, já tinha bienal, mas nunca fui. A professora prometeu organizar uma excursão pro tal mundo de sonhos no ano seguinte, mas o assunto morreu. Nada de excursão, nada de bienal.
Mas o sonho… Esse não morre.
— Imagina — lembro de comentar — encontrar o Pedro Bandeira na bienal…
Corta pra dezesseis anos depois, na Bienal Internacional de São Paulo, setembro de 2024. Eu, com 29 anos, ressaca, um livro lançado, o sonho de escritora virando realidade. Estande da Amazon e o Pedro Bandeira na minha frente.
A única coisa que eu consegui fazer foi ficar em choque, observando enquanto ele cumprimentava a plateia, abraçava algumas pessoas, beijava a mão de outras e agradecia pelo carinho.
Eu não era a aluna de pós-graduação em escrita criativa ali. Não era a bacharela em Direito, muito menos a mulher que teve coragem de peitar o sonho de ser escritora em um país que não lê.
Nada de participante de mesa na FLIP, de leitora crítica, consultora literária, de chefe de área no Tribunal de Justiça. Pro inferno com essa caralha toda.
Na frente do Pedro Bandeira eu era a adolescente que passava as noites acordada só pra terminar um livro rápido.
Fui pra bienal como escritora.
Mas naquele momento, era 100% leitora.
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Diálogo que ouvi enquanto esperava a mesa começar:
— Ele vai estar aqui mesmo? Sério?
— Sério. Ele e um outro cara…
— Quem?
— Um tal de Bandeira, aí...
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Não tirei foto com sua Majestade Pedro Bandeira, existem momentos que são mágicos demais para serem eternizados.
Nem chorei, ao contrário de muitas pessoas que estavam lá. Segurei a emoção enquanto era transportada pra outra época, quase outra vida.
Mas tô chorando agora.
Enfim, a ironia…
Parafraseando a dedicatória do livro que eu mesma escrevi:
Deu certo.




É sempre uma emoção encontrar pessoalmente as escritoras e os escritores que são referência pra gente. Eu uma vez encontrei o Marcelo Cassaro, um dos criadores de Holy Avenger. Fiquei todo empolgado. Eu queria ter encontrado o Pedro Bandeira. Suas aventuras também são grande referência pra mim.