Parabéns pra mim nessa data querida muitas felicidades muitos anos de vida
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São 8h12 do dia 20 de junho de 2025. Meu aniversário.
Oi, 30 anos.
Escrevi um texto de aniversário na segunda da semana passada, tinha planos de postá-lo ontem, mas ele não combina com a Bianca de hoje. É, mais um aniversário em que o mundo tá ao contrário.
Talvez eu deixe o texto no final dessa News, pra trazer um pouco de leveza, quem sabe¿
No sábado passado minha avó foi internada. A mesma que inspirou a vó Alice, em “Értom”. A filha da “Bisa”, da antologia de Natal. Ainda segue internada. Está bem: anda, come, conversa, briga, reclama, brinca, ri. Os médicos seguem otimistas, ela está bem. Mas não bem o suficiente para sair do hospital.
O diagnóstico é o que já esperávamos: uma vida inteira sem cuidado com a saúde e com cigarro vem cobrar a conta. Tem algumas palavras técnicas mais específicas que eu não lembro direito. Fodam-se os termos em latim.
Nem são em latim, mas eu gosto de como a frase “fodam-se os termos em latim” soa.
Eu tinha planos pra comemorar esse ano. Chamaria amigos e família pra se juntar em um hotel fazenda aqui perto, encher o cu de comida o dia todo, ver bichos, mato e crianças correndo na grama. Em maio, estava animada.
A animação passou no início de junho. Não sabia o motivo, ela só foi embora e a preguiça chegou. O que, sinceramente, não é incomum pra mim, nunca gostei de grandes comemorações, mas… sei lá, tava diferente. Os dias passaram e eu fui empurrando com a barriga o convite. Pelo menos minha procrastinação serviu pra alguma coisa. Uma hora dessas eu estaria mandando mensagem pra todo mundo falando que o rolê seria cancelado, uma merda.
Não só porque minha vó está internada, mas também porque eu to com uma sinusite fudida. Pelo menos achei que fosse sinusite, há dois dias. Agora vou ver se consigo uma consulta com uma caralhada de testes rápidos pra saber o que eu tenho e se é transmissível e se tem a possibilidade de eu ter pegado no hospital. Eu estava passando as noites com a minha avó, revezando vez ou outra com meus irmãos, mas agora… se eu entrar desse jeito, capaz de quererem me internar junto.
Mas o texto nem era pra ser sobre isso. Ou era, sei lá. Pra extravasar um pouco do medo e da impotência e do cansaço e das dores de dormir mal e da frustração de não poder ajudar alguém que eu amo. Isso não sai na lavagem nasal e nem pode ser exorcizado na escrita, uma merda.
Texto do dia 9 de junho:
As 0h da minha vida aconteceram em 1995, bem quando o sol não sabia se era gêmeos ou câncer. Na dúvida, ficou com os dois. Descobri isso recentemente e ainda nem sei se acredito em signo.
Mas que faz sentido, faz. Algumas coisas.
Minha memória mais antiga parece sonho: eu, olhando pra baixo, vendo as pedras de calçamento ficando pra trás. Minha mãe conta que naquela época (aos 2 anos, acho) andava comigo pelas ruas de Mantena de bicicleta, outra coisa que faz sentido.
Aos 3 conheci meu pai, também me lembro desse dia. Mudei de casa e ganhei uma irmã mais velha nessa idade.
Aos 4 tive a primeira festa de aniversário que lembro e entrei no jardim de infância: a única menina da turma. Éramos 6 e a professora chamava Tia Fernanda, o mesmo nome da minha mãe.
Aos 7 fui pra natação, aos 8 aprendi a nadar (é, demorou). Aos 10 descobri o que queria fazer pro resto da vida e acho que me esqueci disso aos 18. Relembrei aos 25.
Aos 10 também conheci meu progenitor, aos 11 parei de fazer xixi na cama (aleluia, senhor!), aos 12 minha bisavó se foi, aos 14 perdi o tal do bv, aos 15 comecei a tocar violão e aos 17 entrei na faculdade. Desde então tive crises de meia idade todo ano.
Aos 19 perdi a virgindade, o apêndice e 4 provas finais da faculdade.
Aos 21 consegui um estágio, aos 22 passei na OAB, aos 25 explodiu minha crise existencial. Coincidência ter sido na pandemia?
Já tem alguns anos que todo mês de junho escrevo sobre ficar mais velha. O retorno de saturno foi real e depressivo. Antes disso, em um dos anos o Mustafá, meu gato da época, estava desaparecido e eu chorei o dia todo. Foi assim que percebi o padrão: em junho, choro o que não chorei o ano inteiro. É catártico, o sistema operacional reinicia e eu sigo mais um ano jogando pra debaixo do tapete tudo o que me machuca e eu finjo que não dói.
Não sei se posso falar disso no presente mais, tem 2 anos que não acontece a catarse anual. A última foi em 2023, ano em que recebi alta de uma doença ocular grave bem no dia do meu aniversário. Depois de 7 meses de tratamento, o choro foi mais de alívio que qualquer outra coisa.
Ano passado eu estava ocupada e feliz finalizando os detalhes de Értom, não tinha tempo pra coisas triviais.
Junho de 2025 não acabou, mas ainda não senti a tromba d'água vindo. Prestes a completar 30, é o primeiro ano que passo sem crise de meia idade.
Aceitei que aos 30 minha vida não está resolvida, nem deveria estar. Eu sei o que estou fazendo na metade do tempo e a outra metade faz parte também, foi do acaso que surgiu muita coisa importante. Todo dia acordo aliviada por não precisar ir pra um trabalho que me fazia mais mal que bem. Todos os dias, entre o segundo e o terceiro goles de café, faço a lista mental dos compromissos e um lembrete de ajustar minha rotina.
Ainda é difícil, ainda não sei direito o que fazer com essa tal liberdade e estou curtindo o aprendizado.
Talvez eu devesse estar mais preocupada, afinal, os 30 chegam em alguns dias. Não tenho filhos, carro, casa própria, trabalho fixo, relacionamento estável, meu planejamento financeiro tá capenga desde que saí do tribunal, o cronograma de escrita do meu segundo livro foi passear e não voltou, não virei bestseller, não fechei leitura crítica pra esse mês, não encontrei uma terapeuta nova, não conheci o mundo ainda...
Mas quer saber? Foda-se.
To curtindo a jornada.
A minha jornada.
Cancela o que eu disse antes. O texto combina sim com a Bianca de hoje. Pelo menos com uma das personalidades.
Feliz aniversário pra mim.



Estou lendo bem depois, mas se ainda vale, feliz aniversário pra ti!
A roda viva vai levando tudo, né? Ainda bem que a gente escreve e pode transformar tudo em texto.
Felicidades para ti! Saúde para todos!
Feliz aniversário e vida longa, sem cigarro e com muita literatura! 👏