Personalidades em colapso
Texto escrito em 10 de dezembro de 2024 (agora eu to melhor, juro)
Tenho duas retrospectivas de 2024. Uma é alegre, solar, divertida. A cara da trend atual de "como eu posso ser triste se em 2024 eu..."
Lancei meu livro, assinei contrato com editora, desfiz contrato com editora, participei de vários eventos literários, realizei sonhos de adolescência, lancei uma coletânea de contos de natal, falei sobre literatura em um dos shoppings mais populares de BH, percebi que eu sou muito melhor do que eu imaginava.
E a outra retrospectiva é triste.
Porque eu to triste.
Porque eu fui triste muitas vezes esse ano, em especial do meio pra cá. E essa tristeza é a do pior tipo: a que a gente não define em um acontecimento específico. Eu sei o motivo, sei exatamente o que fazer pra mudar isso, mas também sei que preciso esperar.
Como toda adulta que detesta ser adulta: também sei que a responsabilidade é minha.
E não tem como eu dizer o momento exato em que a moça trouxe travesseiro, manta e café quente aqui pra dentro. Ela só veio, tão silenciosa como as piores tristezas são. E ainda não foi embora, apesar de se esconder de vez em quando.
Então, desculpe os otimistas de instagram, eu não to com saco pra entrar na trend.
Fui feliz em 2024. Muito.
Mas hoje, especialmente hoje, eu to triste.



Eu tô triste, também. E triste por estar triste. Como se fosse errado sentir tristeza. E não é. No meu caso, a tristeza é patológica, é sintoma. Estou buscando tratar há anos, mas tá difícil...
A trend do Instagram é a cara das redes sociais, né. Um simulacro absoluto. Melhoras.