Processos, obviedades, trabalhos
Não necessariamente nessa ordem
Dia desses, percebi uma coisa óbvia: nem tudo é óbvio.
Em uma consultoria, uma escritora ficou extremamente decepcionada quando descobriu que o texto que ela escreveu não estaria pronto para ser publicado logo após a leitura crítica. Não porque era ruim ou porque ela não sabia escrever, mas porque a leitura crítica não faz muitas das coisas que ela queria que eu fizesse:
Revisão ortográfica, deixar o texto fluido, entregar o livro pronto pra impressão,
fazer capa, sinopse, orelhas...
E essas são só as coisas que eu lembrei enquanto escrevo esse texto. A lista era bem maior. Expliquei a ela como funciona o “caminho” editorial, as possibilidades de publicação, as edições, alterações e revisões possíveis e as que a própria autora faz no texto...
Acho que traumatizei a moça.
Claro que eu disse também que seguir todas as etapas não é obrigatório (e o que é obrigatório nessa vida?), mas que elas contribuem para a excelência do resultado. E que se ela fosse pular alguma, que fizesse isso de forma consciente, pelo menos. Muitas (MUITAS MESMO) editoras aceitam originais mal trabalhados e fornecem serviços porcos porque a maioria esmagadora dos escritores não sabe o que de fato faz um livro ser um bom livro.
Isso vale para profissionais do mercado editorial. Não é difícil de encontrar gente fazendo serviços de leitura crítica, revisão, preparação, capa etc. Agora, achar gente boa nisso... A coisa complica.
Contei o que eu fiz com meu próprio livro e o que recomendo para outras autoras. Ela disse que precisaria repensar a leitura crítica, porque não tinha noção de quão longo era o caminho do texto à publicação e de quantas Janjas custaria.
Com a situação toda eu fiquei… pensativa. Eu poderia ter apresentado a ela um caminho mais curto, prometido mundos e fundos da mesma forma que prometeram a mim, que prometem a várias outras escritoras todos os dias.
Eu poderia dizer que em um mês o livro estaria pronto, publicado e disponível na amazon e os carai. Eu poderia ter cobrado um valor adicional para fazer a revisão, por exemplo, e usado o corretor automático do word.
Mas eu não sou assim. Eu tenho dificuldade de entregar trabalho porco. Isso vale pra literatura, pro direito ou pra qualquer outra área. Eu fico me debruçando sobre cada história por um longo tempo, leio mais de uma vez os textos que recebo, indico soluções para os problemas e um milhão de materiais de pesquisa.
Sei que a maior parte das pessoas não vai atrás. A maioria não quer trabalho, quer formas de simplificar ao máximo não só o livro, mas a vida. Eu também quero, mas esses dias a Mel Knolow (essa aqui) citou Leonardo da Vinci durante a consultoria:
“a simplicidade é o último grau da sofisticação”
O assunto era outro, marca pessoal, mas o princípio pode ser aplicado a tudo.
Alguns autores talvez sejam tão bons no que fazem ao ponto de não sentirem necessidade de nenhuma pessoa lendo seu texto antes de publicar.
Algumas pessoas talvez sejam confiantes e preparadas ao ponto de fazer um trabalho de 30 dias em uma semana sem perder nada na qualidade.
Eu não sou. Ainda to aprendendo do jeito complicado pra depois conseguir simplificar. Ainda estou na fase de passar horas brigando com o cubo mágico, pra entender os fundamentos dele. Depois eu crio uma fórmula, uma equação simples que me faça desvendar os mistérios da vida, do universo e tudo mais.
Processos.
É… Acho que, finalmente, estou aprendendo a aproveitá-los.


