Sobre acordar às 5 da manhã
e sobre continuar
São 5:45 e eu acordei com ansiedade. Fruto de mais um curso que estou fazendo, dessa vez é produção de conteúdo. Tenho uma tarefa: escrever um post contando minha história de origem. O plano estava pronto, o post casava perfeitamente com a crônica de segunda. Eu falaria sobre a primeira vez que escrevi, aos 10 anos, e traçaria uma linha cheia de curvas até chegar ao dia de ontem, à primeira vez que vi meu nome estampado no Estado de Minas.
Mas eu acordei às 5 da manhã e vi centenas de posts sobre o que está acontecendo no Rio Grande do Sul. E centenas de posts sobre outras coisas. Não estou escrevendo isso fazendo juízo de valor, mas atestando um fato óbvio: o mundo não para.
Em maio de 2020 eu chorava copiosamente porque não estava fazendo o que eu nasci pra fazer e não conseguia enxergar uma forma de sobreviver sem escrever. No meio da pandemia, obviamente, o mundo e o tempo não pararam enquanto eu tinha uma crise de ansiedade atrás da outra (só fui descobrir que eram crises de ansiedade depois).
Assim como o show da Madonna não foi cancelado por causa da situação no RS, nem os 3 dias de seminário que vou enfrentar essa semana, muito menos todos os eventos que estão acontecendo ao redor do mundo.
O mundo não parou com as tragédias de Mariana e Brumadinho, não parou quando a região do leste de MG sofreu com chuvas e enchentes em 2018; não parou quando o Michael Jacson morreu, quando aconteceu a tragédia da boate Kiss ou enquanto eu lutava contra uma ameba que comia minha córnea.
Em todos os casos, em menor ou maior escala, o mundo continuou. A terra gira em torno dela mesma e do sol, a lua gira em torno da terra, as leis de gravitação universal continuam valendo, apesar de todas as teorias da conspiração.
Escrevi meu texto de origem e organizei minha agenda da semana. Escrevi esse texto da News, dei comida pro gato, abracei a cachorra, me arrumei e vim pro trabalho. Compartilhei posts sobre o RS, mandei mensagem pra uma amiga que está organizando uma rifa solidária, tenho planos pra uma rifa também.
E escrevi. Porque essa é a minha forma de continuar, de me controlar, de descarregar. De sobreviver.
Escrevendo, me controlando, descarregando e sobrevivendo, posso ajudar outras pessoas.
Talvez o mundo precise continuar porque parar significa surtar, perder a cabeça, gritar de desespero até perder a voz, chorar até os 70% de água secarem. Nosso antidepressivo natural é nosso instinto de seguir em frente.
Continuemos.
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Estou compartilhando no meu instagram várias formas de ajudar a população do RS. Se alguém tiver interesse, segue o link: aqui
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Algumas coisas mudaram e vão continuar mudando nessa newsletter. Depois eu conto com detalhes, agora eu tenho que me virar em 5 pra dar conta de tudo.


