Sorrindo, acenando e fingindo que não atrasei essa semana
Caos.
Tem algo que me fascina em “paisagens” urbanas. Falo da estética desgastada de prédios, casas, ruas, galpões e afins, que deixa várias épocas e classes diferentes lado a lado. Quase um estudo histórico sociológico visual.
Em Belo Horizonte, por exemplo, você vê um grafite recém-terminado em um prédio velho, cheio de lodo e marcas do tempo. Uma fachada antiga (aquelas com firulas de gesso do período colonial que acumulam poeira e histórias de terror) tem, do lado de dentro, equipamentos modernos. O século XVIII e o XXI juntos, no mesmo lugar, ao mesmo tempo.
Talvez, a comprovação da teoria da relatividade esteja estampada na nossa cara.
São só anacronismos ou a prova de que gerações completamente diferentes podem conviver em paz desde que uma delas não acredite em terra plana?
Deixa pra lá, são sete da manhã. Ninguém faz sentido às sete da manhã.
Voltando: em Belo Horizonte eu me sinto em casa. Depois de 25 anos morando no mesmo lugar, imagino que seja isso que aconteça mesmo, com qualquer pessoa. E tenho esse fetiche secreto de me divertir com a aleatoriedade dos prédios, das casas, das pessoas. Deve ser coisa de quem escreve.
Tenho parentes e conhecidos que chegam “na cidade grande” e ficam intimidados. É tudo muito caótico, muito longe, muito barulhento.
É verdade, se a gente compara BH com Mantena. Mas se o referencial é São Paulo...
Será que alguém que saiu de uma cidade do interior de Minas entrou em colapso quando chegou em São Paulo?
Já estou divagando de novo.
(como se todo esse texto já não fosse feito de divagações...)
Acho que a questão com BH é que ela é parecida demais com a minha cabeça. Desorganizada, maluca e completamente confusa para quem vê de fora. Mas quem é daqui entende os padrões. Tem um pouco de lógica, apesar de tudo. É claro que você, caro leitor, terá que acreditar em mim, nesse caso. Existe ordem. E existe caos.
Eu abraço o caos.
E, às vezes, o caos me abraça.
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Hoje é sexta, o que significa que essa News atrasou um dia. Foi mal, acontece (não que alguém além de mim esteja marcando no calendário). Março, para quem trabalha com políticas públicas relacionadas à mulher, vale pelo ano todo.
Socorro.
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Fiz uma tatuagem. A primeira. Olha:
Bem que dizem que é um caminho sem volta, meu novo hobby temporário é pensar em outras tatuagens.
Doeu, mas dor é suportável.
Insuportável mesmo é a coceira que dá enquanto cicatriza.
Socorro de novo.
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Por último, para terminar esse remendo de texto com a vibe positiva:
Dias desses, me disseram que eu não estou fazendo nada direito.
Doeu. Doeu pra caralho. Mas eu precisava disso para virar algumas chaves e definir coisas na minha cabeça.
Entre tribunal, editora, livro, instagram, pós-graduação, tatuagem, gato, cachorro e ressaca, eu preciso escolher.
- Minhas prioridades.
- A pessoa que eu quero ser.
- Em quem eu quero me inspirar.
- E quem eu preciso ouvir para alcançar meus objetivos.
Filtro, caro leitor, foi uma das melhores invenções da humanidade. Exercite o seu.
Falando em não fazer nada direito, segunda vai ter crônica no instagram. Talvez eu até grave um vídeo, quem sabe?




