Texto sobre nada
e sobre arte.
Sonho, substantivo masculino. Em sentido figurado, quer dizer “desejo vivo, intenso e constante; anseio.”
Por muitos anos, pensei que fosse besteira. Que a palavra fosse superestimada, que, se as pessoas queriam algo, bastava ir atrás.
E que pensar ir muito além da realidade era... ilusão.
Eu me orgulhava de ser prática. 100% prática. Sei lá por que…
Mas com o passar dos anos eu senti na pele o que a ausência de sonhos faz. O pé no chão é muito bem-vindo, mas a cabeça nas nuvens… PQP!
Quem diria que o filósofo velho estava certo o tempo inteiro?
A maior virtude é o equilíbrio.
Meu lado prático transforma os sonhos em objetivos. Faz contas, planilhas, analisa riscos e oportunidades. O lado artista... Ah, meu amor…
O lado artista tá sentado em uma mesa de cafeteria discutindo coisas da vida, do universo e tudo mais com escritores tão malucos quanto eu.
O lado artista tá na frente do computador fazendo planilhas de personagens pro próximo romance.
Meu lado artista tá todo arrepiado de ver “Ainda estou aqui” indicado ao Oscar, principalmente ao de melhor filme.
Tá na fila do banheiro escutando a conversa alheia, tá rabiscando padrões aleatórios em folhas de caderno, tá sentada esperando o show do meu compositor favorito de todos os tempos, tá escrevendo essa crônica enquanto espera o show começar.
Meu lado artista vai na frente, puxando as outras personalidades, peitando os próprios medos e assassinando a própria impostora. E ajudando outras mulheres a assassinarem as delas também.
No mínimo, plantando uma semente.
Espero que germinem.
Esse texto era pra ser sobre eu indo ao show de um artista que admiro pra caralho, mas virou um tratado sobre arte, escrito ao longo de dias e finalizado hoje, às 14h, 15h da tarde.
Sobre a minha arte.
No fim das contas, é um texto sobre nada.
E sobre tudo.



Ah, sonho, esse sacana, movendo civilzações inteiras e muitas vezes me deixando a ver navios. Ano passado eu comecei a acreditar que não devia mais sonhar. Ou melhor, que não podia mais sonhar. Ontem eu estava conversando com uma pessoa sobre listas de sonhos. E agora, depois de ler sua crônica, eu penso: Puxa, que tal sonhar de novo?