Um capítulo do Értom pra vocês
porque é dia dos namorados
44
Foi difícil se desvencilhar e entrar no apartamento. Rafael continuava enfeitiçado. Os olhos não paravam de passear pelo corpo dela, incendiando seu sangue ao ponto de Ângela se refugiar na cozinha. Queria jogar água gelada no rosto, mas estava usando maquiagem.
Deveria ter comprado o batom que prometia não transferir.
— Você está cozinhando? — Ela se afastou, olhou em seu rosto e o sorriso parou no meio do caminho.
— Seu rosto está sujo de batom. — Ângela pegou alguns guardanapos e entregou a Rafael. Ele segurou o punho delicado e fez carinho onde as artérias pulsavam.
— O seu também.
Precisava sorrir daquele jeito?
— Merda.
— Deixa eu limpar… — Ângela se inclinou para trás quando Rafael deu um passo à frente. — Com a língua.
— Batom deve fazer mal pro estômago. — Não mais do que o olhar dele, certamente.
— Quero fazer o teste.
O alarme apitou.
— Salva pelo fogo.
— Toma, limpa o rosto enquanto termino.
— Não vai limpar o seu? — passou o guardanapo na barba de qualquer jeito.
— Não faço ideia de como limpar isso sem tirar o resto da maquiagem.
Rafael tinha um comentário espirituoso, mas sua mente ficou perdida de novo quando Ângela se abaixou para pegar algo dentro do forno.
Aquilo era cinta liga?
Estava perdido.
— Conchiglione recheado com camarão. Espero que o gosto combine com o cheiro.
— Uhum.
— Pode abrir o vinho enquanto monto os pratos.
— Uhum.
Ângela olhou para Rafael, encostado na bancada, olhar perdido em… sua bunda?
— Rafael?
— Oi? Sim? — Ele focou no rosto dela. — Eu estava… — imaginando onde aquele fio terminava. — Distraído.
— Percebi. — Ângela sorriu de novo, se aproximando do namorado. — Pode abrir o vinho, por favor? — Ao invés de resistir à tentação da boca dela tão perto da sua, Rafael desceu uma das mãos até encontrar o lugar exato em que o elástico encontrava a meia.
— Tem quantas surpresas pra mim hoje?
— Se você se comportar, vai descobrir.
Se tivesse um ser humano no mundo capaz de resistir à Ângela Értom sedutora, essa pessoa tinha sérios problemas mentais.
Levou o vinho para a sala de jantar e viu Zeus fuçando o lugar onde os petiscos ficavam.
Rafael entendeu que, se ela quisesse, até o fim da noite, estaria mais adestrado que o cachorro.
Eu sou geminiana, logo, indecisa. E meio canceriana, logo, meio emocionada.
Então, tem outro capítulo a seguir:
23
— Le petit mort — Ângela sussurrou. A luz do abajur junto com a camada fina de suor deixava o tom bronzeado da pele de Rafael mais bonito.
— O quê? — Ele se virou e passou um braço por cima da cintura macia.
— Nada… — O indicador dela passeou pelo maxilar áspero. — Onde conseguiu essa cicatriz?
— Academia de polícia. Treinava boxe com um colega quando esbarrei no suporte do ringue com força e nunca mais saiu. Não desvie do assunto, o que disse?
— Você é bom nessa coisa de detetive, né?
— Ângela…
Ela suspirou.
— Le petit mort é um termo em francês, usado na literatura. Basicamente, significa que ter um orgasmo é como morrer. — Ângela sorriu e traçou as linhas da tatuagem de Rafael, subindo pelo pescoço. — É a maior besteira inventada.
— Por quê?
Ângela ficou encarando seu rosto, enquanto pensava em uma resposta simplificada. Sentiu a respiração ficar calma, os batimentos cardíacos diminuírem.
— Porque nunca me senti tão viva.
Rafael sorriu, divertido, enquanto rolava na cama com Ângela, buscando uma posição confortável pros dois.
— Obrigado, então.
Ângela riu, interrompida pelos arrepios que o toque dele causava em cada cantinho da sua pele.
— Não foi um elogio, investigador.
— Não pareceu uma reclamação.
Não teve tempo de responder. Seu cérebro virou gelatina de novo.
Feliz dia dos namorados, cambada!
desgrama, agora eu quero editar Értom de novo


