Virar notícia em jornal que ninguém mais lê
Deus me dibre
Esses dias eu vi um exemplar de Revista Caras, no salão de beleza. Nem sabia que ainda existia e não faço ideia de quando era a edição. Ela desbloqueou várias memórias de infância: salões, clínicas, exames, recepção de escola, o banheiro da minha tia-avó, a mesa de centro do meu padrinho... nunca gostei da revista. Folheava 3 ou 4 páginas e perdia o interesse. Eu gosto de fofoca, mas ver uma atriz famosa passear no shopping... tudo tem limite.
Hoje de manhã, o explorar do instagram me mostrou a Mariana-não-sei-o-quê na praia.
"Grandes bostas".
Antigamente, eu precisava pegar uma das tais revistas nas mãos pra saber essas coisas. Agora, o algoritmo enfia goela abaixo e eu que lute pra tentar educá-lo.
E já tem tempo que eu luto. Mas ele é uma criança mimada, quer porque quer me entregar vídeos de restaurantes na Grécia e de jogo de tigrinho.
Aí eu me pergunto: como é que se educa uma inteligência artificial? No gpt eu consigo mandar, pelo menos, mas nos algoritmos que mudam constantemente parece que quanto mais eu reclamo dos vídeos de comida sei lá de onde, mais ele manda.
E eu nem cheguei no povo lavando tapete. Meu santo cristo!
O que me leva a outra pergunta: para quem meu conteúdo está chegando?
Trabalhar com internet é sim querer alcançar mais pessoas, mas do que me adianta alcançar alguém que não lê, muito menos escreve?
As revistas e os jornais, pelo menos, são divididas em sessões. Era só pular todas as 345 páginas de fotos de pessoas que ninguém conhece, as 10 de artistas conhecidos e devorar as 2 que falavam de algo mais ou menos interessante.

Dia desses, meu nome apareceu no jornal pela primeira vez. Deu um quentinho no coração, mesmo a nota não sendo sobre mim, mas sobre o lançamento de outro escritor. Tem a autoridade, a divulgação do meu nome nos meios de comunicação pipipi popopo. Até onde o público leigo sabe, o Estado de Minas é o jornal impresso mais importante e tradicional do estado.
Mas...
Será que alguém realmente lê?
Será que o meu público, as pessoas que vão ler os meus livros, também leem os jornais impressos que chegam às casas dos seus avós?
Fica aí o questionamento.
Gosto de aparecer em jornais, de dar entrevista em rádio, de participar de eventos e os carai. Gosto de conversar, de conhecer gente, de fazer contatos.
Mas eu sou escritora. Quero ser lida.

